Agosto Lilás: combater a violência contra a mulher também é uma questão de saúde
Agosto Lilás: combater a violência contra a mulher também é uma questão de saúde
A violência contra a mulher ultrapassa os limites de uma questão social ou de segurança pública. Suas consequências podem acompanhar as vítimas por anos, afetando a saúde física, emocional e mental, além de interferirem nas relações familiares, profissionais e sociais. Por isso, falar sobre prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência também significa falar sobre promoção da saúde e proteção da vida.
É nesse contexto que o Agosto Lilás mobiliza a sociedade brasileira para ampliar a conscientização e fortalecer o enfrentamento às diferentes formas de violência contra a mulher. A campanha está diretamente relacionada à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006 e que, em 2026, completa 20 anos como um dos principais instrumentos legais brasileiros de proteção às mulheres em situação de violência.
Duas décadas depois, entretanto, os indicadores mostram que o tema continua exigindo atenção permanente de toda a sociedade. Reconhecer os sinais, conhecer as diferentes formas de violência e fortalecer as redes de acolhimento são partes fundamentais desse enfrentamento.
Violência contra a mulher também produz impactos sobre a saúde
As consequências da violência podem assumir diferentes formas. Além das lesões físicas imediatamente associadas às agressões, mulheres submetidas à violência podem apresentar impactos de longo prazo sobre sua saúde, incluindo consequências psicológicas e emocionais que demandam acompanhamento profissional.
A Organização Mundial da Saúde reconhece a violência contra as mulheres como um importante problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos. Estimativas globais divulgadas pela organização indicam que cerca de uma em cada três mulheres já sofreu violência física e/ou sexual ao longo da vida, principalmente praticada por parceiro íntimo.
Isso demonstra por que o enfrentamento não pode ficar restrito ao momento da agressão. O cuidado precisa considerar também as consequências posteriores, o acesso aos serviços de saúde e assistência e a existência de ambientes preparados para acolher a mulher sem julgamentos ou revitimização.
A violência nem sempre deixa marcas visíveis
Um dos pontos essenciais do Agosto Lilás é ampliar o entendimento sobre aquilo que caracteriza violência. A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Isso significa que uma relação abusiva não precisa envolver agressões físicas para representar uma situação de violência.
Humilhações recorrentes, ameaças, isolamento de familiares e amigos, controle excessivo, constrangimentos, retenção ou destruição de bens e recursos financeiros e situações de coerção sexual são alguns dos comportamentos que podem fazer parte desse contexto.
Compreender essas diferentes manifestações é importante porque determinadas situações podem ser normalizadas ou permanecer invisíveis durante muito tempo. Informação também é uma ferramenta de proteção, pois ajuda mulheres e pessoas próximas a reconhecerem comportamentos abusivos e buscarem apoio.
O acolhimento pode fazer diferença na jornada de uma vítima
Profissionais e instituições de saúde podem ocupar uma posição particularmente importante na identificação e no acolhimento de mulheres em situação de violência. Em determinadas circunstâncias, uma consulta, atendimento emergencial ou acompanhamento de saúde pode representar um dos poucos momentos em que a vítima está em contato com alguém fora do ambiente onde a violência acontece.
Isso exige preparo para identificar possíveis sinais e, sobretudo, oferecer um atendimento humanizado. Escuta qualificada, respeito à autonomia, confidencialidade dentro dos limites aplicáveis e encaminhamento adequado para a rede de proteção podem contribuir para que uma mulher encontre caminhos seguros para buscar ajuda.
Acolher não significa apenas tratar uma consequência física. Significa enxergar a pessoa por trás daquela condição e compreender que saúde também envolve segurança, dignidade e possibilidade de viver sem violência.
Empresas e organizações também fazem parte dessa rede
A responsabilidade pelo enfrentamento da violência contra a mulher não pertence exclusivamente aos serviços públicos ou às instituições de saúde. Empresas e organizações também podem contribuir para criar ambientes nos quais informação, respeito e acolhimento façam parte da cultura cotidiana.
O ambiente profissional, por exemplo, pode ser um importante espaço de contato e apoio para mulheres que enfrentam situações de violência fora dele. Políticas internas claras, capacitação das lideranças, canais de acolhimento e divulgação responsável das redes de proteção ajudam a construir organizações mais preparadas para lidar com situações delicadas.
Essa perspectiva amplia o conceito de cuidado. Promover saúde também significa construir ambientes nos quais as pessoas possam encontrar informação, respeito e suporte quando enfrentam situações que ameaçam seu bem-estar e sua integridade.
Vinte anos da Lei Maria da Penha: avanços que não encerram o desafio
Em 7 de agosto de 2026, a Lei Maria da Penha completa duas décadas. Sua criação representou um marco na legislação brasileira ao estabelecer mecanismos específicos para prevenir e enfrentar a violência doméstica e familiar contra a mulher.
O aniversário de 20 anos oferece uma oportunidade para reconhecer os avanços construídos desde 2006, mas principalmente para refletir sobre os desafios que permanecem. A existência de instrumentos legais é fundamental, porém o enfrentamento da violência também depende de informação, prevenção, aplicação efetiva das políticas de proteção e capacidade de acolhimento.
Por isso, o Agosto Lilás não deve ser compreendido apenas como uma campanha de calendário. É um período para ampliar uma conversa que precisa continuar durante todos os meses do ano.
Informação, cuidado e respeito também protegem vidas
Para quem atua no ecossistema da saúde, falar sobre violência contra a mulher significa reconhecer que o cuidado não começa nem termina em um medicamento, procedimento ou consulta. A saúde é construída também pelas condições em que cada pessoa consegue viver, trabalhar, estabelecer relações e exercer seus direitos com segurança e dignidade.
Na ProGoods, acreditamos que colocar as pessoas no centro do cuidado também passa por apoiar a circulação de informação responsável sobre temas que impactam diretamente sua saúde e qualidade de vida. Neste Agosto Lilás, reforçamos a importância de uma sociedade que saiba reconhecer a violência, acolher sem julgamentos e fortalecer os caminhos de proteção às mulheres.
Porque enfrentar a violência contra a mulher é responsabilidade de todos — e proteger sua saúde, segurança e dignidade é parte indispensável dessa transformação.
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